CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO

TODA VEZ QUE EU DOU UM PASSO O MUNDO SAI DO LUGAR

Sibá e a Fuloresta

A REALIDADE EM MOVIMENTO
Em nossas andanças pelo Brasil tivemos experiências maravilhosas, porém presenciamos relações de poder perversas e exploração. As estratégias de opressão permeiam as questões subjetivas e materiais do território, da moradia e propriedade. Também estão por trás da edificação de fronteiras simbólicas e concretas por nacionalidade, gênero, raça, idade, etnia, classe social e etc. Pretendem a desarticulação dos movimentos sociais, das práticas sociais e individuais integrativas.
Essas práticas incluem a vivência afetiva e cultural das pessoas, as conectam consigo mesmas, com o outro, ao percurso individual e de seu povo. Assim, potencializa-se o protagonismo em sua própria história, nas políticas públicas e nas trajetórias que garantem direitos e fortalecem a identidade, o projeto de vida e de sociedade, para melhoria da qualidade de vida. Nos espaços pelos quais passamos, raramente encontramos serviços como ONGs, principalmente que estivessem alinhadas com a comunidade.
Além disso, encontramos serviços públicos precários que não respondem às demandas populacionais. Ao mesmo tempo, nos deparamos com nossa formação e buscamos compreender e identificar processos que visam minimizar problemáticas concretas. O processo de compreender e identificar é desafiador, pois apesar de nossa formação em ciências humanas e sociais, estas ciências mantêm sua atuação e pesquisa muito focada em setores elitizados.
Portanto, nossa atuação profissional se torna algo bastante inovador e surpreendente nos locais onde passamos, já que rompemos uma antiga barreira de acesso, demostrando cada dia mais, que a democratização dos conhecimentos pode gerar muitos benefícios sociais e se faz necessária para as atingir as problemáticas existentes hoje. Dessa forma, assumimos uma postura profissional comprometida com a produção de ações e conhecimentos socialmente relevantes.
São muitas as relações antigas, concebidas a partir do contexto sócio-histórico desigual do país. Contradições, que ainda hoje, aparecem com muita força e dialogam diretamente com a iniquidade social e enorme vulnerabilidade de alguns grupos frente a outros.
Entretanto, neste contexto, de igual força e resistência, estão os movimentos sociais, a persistência da memória e da cultura, a criatividade e força de um povo. Reconhecemos o enfrentamento direto das comunidades organizadas ou em processo de organizar-se, que não se calam. Elas se fortalecem culturalmente, afetivamente e coletivamente com seus pares e nos recebem sempre com os braços abertos. Sua inquietude e vontade de mudança, conversa com nossa vontade de mudança, o que vem possibilitando que possamos trabalhar no mesmo sentido e juntos.